quinta-feira, 25 de julho de 2013

Dani



É o teu olhar que vejo no entardecer

E se mistura com o brilho do laranja

Para não me fazer esquecer

E eu prolixa que sou, me enrolo nas palavras

Como novelos embaralhados

E me entristeço porque a resposta vem tímida
Discreta, e não consigo ler nada nas entrelinhas
Porque não há entrelinhas
Só o meu olhar solitário a contemplar o brilho do teu olhar
refletido nas cores do entardecer.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Presley e o alfinete!







Coração fica pequeno, despedaçado


São os alfinetes na vida que geram os piores resultados
                                     X
Presley, meu pequeno amigo
Tão pelúcio que vira um pom pom quando encolhido
Teus latidinhos atrevidos denotam ser o guardião do lar
Enquanto eu descabelava-me com a monografia sempre estavas ao meu lado
Teu olhar pensativo esconde o que és na realidade:
Um amicãozinho doce, atrevido e cheio de energia de viver
Que me ensina diariamente o que na vida não podemos perder
Quando andas pela rua, saboreias a vida pelo olhar, cheiro e paladar
Queres levar as folhas e as flores, nada deixas passar
E na impossibilidade de levar, um segundo depois e já nada há que recordar
Teu passado dura pouco, vives o presente como poucos
E só traz amor no peito, pelinho ao vento e vontade de sonhar!
                                     X
Vem amicãozinho de volta ao teu lar
O meu peito dolorido, tem vontade de parar
Teus latidinhos frenéticos meu ouvido quer escutar
A ausência que causas só me faz chorar
Agarrada ao teu cãozinho azul é teu corpinho que desejo apertar
Voltes logo para nos fazer sorrir, porque tu nos completas a família
Quando estás por perto nada há que lamentar
Tudo fica pequeno porque nos ensina a sonhar
No dia a dia entendemos juntos o sentido de amar!
                                     X
Presleyzinho oh fofuchinho que tudo na boca quer colocar
Me deixou tão triste porque um alfinete foste tragar
Me perdoe amiguinho não o consegui tirar
Mas tenho fé em Deus, que o dr. Fabio vai te salvar!

                                     X
E salvou-te o jovem médico 
Com mãos hábeis te trouxe à vida
Quando voltaste da cirurgia 
Ainda sonolento com certeza
Brindar era o que eu mais queria
Comemorando a nossa primeira vitória
Foram mãos de conhecimento e amor
Que mudaram para sempre a tua história!


The End... 
Ho ho ho... Presley é o meu presente!




terça-feira, 4 de setembro de 2012

Uma joaninha pousou em seu ombro.
Quase não podia vê-la. Sorriu e não sentiu-se só naquela praça solitária, em que todos os perdidos continuavam isolados em seus bancos, doentes de solidão.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Cabides



Em uma dessas conversas ela confidenciou-me sua decepção; descreveu-me a evolução clínico-sentimental (neologismo?) de seu coração. Retardou, em quase infindáveis reticências, confessar a tristeza em que se encontrava.
Vivenciava o luto de um sentimento ainda vivo que julgara ser intocável e o via, como a um doente, cujo prognóstico em nada era favorável. Descreveu-me, e eu tentarei transcrever o que lembro do que me confidenciara; o cenário após a sexta-feira não era mais o mesmo, tudo era mentira e podia ver os bastidores de toda a encenação. Seu coração palpitava intenso e quando olhou em seus olhos, viu que tudo era falso, estranho e, finalmente, mesmo com dor, acordara. Deixou o anel no criado-mudo e saiu, sem olhar para trás e sem olhar atentamente para frente. Olhou para dentro de si, entrelaçou as mãos e foi embora. Bem acompanhada de si mesma.

                                        x                                     


Estava coberto com um voal cinza, gemidos decorrentes de pesadelos saiam boca afora. A angústia aumentava mas não havia quem o acordasse. Enquanto tentava fechar a porta, pelo lado oposto, tentavam introduzir a chave para impedi-lo de fechá-la. O molho fazia barulho, com notas aterrorizantes. Suava frio. Agitava-se. O voal finalmente cedeu aos movimentos e rolou pelo chão. A noite era fria. Seu corpo tremia agitado pelo sonho aflitivo. Finalmente perdeu a força, a energia esvaiu-se e ela entrou: a estranha, para assaltar-lhe a calma.  Gritou ainda, o incosciente tentava acordar-lhe para impedir dano maior; sem sucesso, o grito transformou-se em choro. Cedeu ao ladrão. Sentou-se. O grito emudeceu. O suor extinguiu-se. O que seguiu-se a isso foi uma melancolia a transformar-se em um voal  cinza a cobrir-lhe o espírito todo. Encolheu-se na cama e mergulhou no seu último sonho. 






domingo, 3 de junho de 2012

Bolinhas vermelhas

Algumas joaninhas para agradarem as borboletas se produzem com asas feitas de papel crepom, pintadas com guache e anteninhas de palitos de dente. Só que elas não conseguem sustentar nem as asas, nem as antenas; e basta que garoe para que tudo se torne uma mentira que escorre colorida pelas ruas. Depois de tudo, ainda seguem sendo joaninhas, mas podem optar pela verdade, ou podem viver no auto-engano. Todos têm escolhas.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Vinte nove

Dou um abraco forte nela. A despedida sempre me deixa nostálgica.
Sei que é último abraço. Última troca de olhares, cumplicidade, e um pouco de mim mesma que vai-se para sempre.
Não da para colocar no papel, não tenho memória para tantos momentos.
Ainda estou com as pessoas que fizeram parte da minha história comigo, mesmo que elas mesmas já não estejam nesse planetinha.
Outras várias seguem em sua própria caminhada, mas junto com a minha compartilhada.

Nesse abraço longo, lembro de minhas conquistas, do sorriso fácil e do choro contido.
Lembro de bonecas, brinquedos e descobertas.
Um pouquinho dos mundos de cada fase coloco aqui dentro desse vidrinho de perfume.
Um pouco dos abraços que fizeram-me mais forte,
Dos momentos de solidão que fizeram-me ser mais firme.
E das sutilezas da vida que ensinaram-me a não endurecer de todo, porque o charme se desfaz fácil como água de chuva em mentes frias.
Mais um abraco forte, de choro e lágrimas no corpo todo. Como uma fotografia em P&B. É assim que guardo esse momento em minha caixinha de música.
Uma década de vinte em canções, livros, páginas, viagens, primeiro beijo, vida, rotina, poesia, fotografia e amor.
São vinte e nove anos nesse planetinha Terra que já tem tantos anos. Por sorte, os trinta vivenciados nesse século não são os mesmos vivenciados por meus avós.
O tempo todo 'Somos tao jovens'. Mesmo aos 100.
Hoje o dia era de céu azul pela manhã e a tarde choveu bastante.
Não faço diagnósticos sobre o tempo. Sei apenas que um é um dia claro.
Não tenho idade. Não tenho tempo.
Mas tenho a graça de seguir fazendo a minha história conforme a Vontade de Deus nesse mundo complexo, versátil, volátil, de belas criaturas.
Falei com meu pai agora, a ultima vez que falo com ele aos 29 anos!
Feliz porque ele esta comigo.
Feliz pela minha família que amo, familiares, esposinho amado, amigos queridos.
Feliz porque eu cheguei até aqui.
Um dia tão especial no qual, de maneira única, há anos, eu era concebida.
Me sinto privilegiada, no meio de tantos, eu estou entrando na 3. década de vida.
Parece que foi ontem que conversei com Deus, aos 6 anos, ao compartilhar com ele os carneiros e desenhos que via no céu.
Um brinde à vida. Um brinde às mentes criativas, destemidas, entusiasmadas e curiosas desse mundo! Um brinde ao amor, afetuosidade e charme, que um cadinho de feminilidade não faz mal a ninguém, seja aos 20, aos 30, ou na idade que for.
Um abraço em mim.
Um abraço dou na parte de mim que chega!
Seja bem-vinda Dani Vipo. Um brinde, minha querida!
Amo você e tudo o que é, tudo que será e não será também, com erros e acertos, derrotas e vitórias.
Se cuide, porque a vida é unica, dádiva de Deus.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Teofilo: O que Deus ama.


Eram olhos fitos no sofrimento. Entretanto, quase um bambolê de santidade vislumbrara ao seu redor.
Boina bege.
Camisa pólo por dentro da calça.


"Eu não conheço o senhor, mas sei que estás tão triste".
O que se passara por trás daquela rede de sentimentos nunca saberei. Frustrações, vícios, mágoas?
Não importa. Nada mais importa.
Passados dias e dias aqueles olhos já não demonstram medo, porque a tristeza se foi para sempre. Mas não levou Teófilo.


Jaz livre para sempre da dor.
Livre Teófilo. És para sempre livre, querido.


(em memória de um paciente que em uma consulta ousou em sentimento dizer a sua vida para mim).




segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Um passo do pé

Longe do sol vejo dançando alegremente uma cortina, 
Aproveito e despeço-me do que passou e continuo caminhando para todos os lados e direções.
O vento mais forte faz com que o tecido realize um vôo raso: suas margaridas e borboletas
parecem desejar saltar das tramas e linhas e ganhar o universo...
Eu sigo caminhando para lados que desconheço, sem pensar em mais nada.
Já é tardinha, o vento retira-se de perto da janela.
A cortina, suas borboletas e flores aterrizam pelas ondas da costura e repousam
delicadamente, como que cansando-se do movimento decidissem tirar um cochilinho...
Atravesso a rua, miro para a esquerda, longe de ser uma cortina, o que vejo é um tecido denso,
envelhecido e jogado num canto, com estampas borradas e apagadas, doentes de si mesmas, contemplando o nada e velando seu morrer de cores.
A energia é intensa. Solto o máximo de dióxido de carbono e mudo o caminho.
Volto-me para as borboletas. Volto-me para a tentação de não ceder à dor e ao esquecimento. Meus passos querem criar raízes no que é belo, efêmero e aparentemente inesgotável.
Embora sendo passos, e não raízes, sei que a própria sensação em si é volátil e os momentos simplesmente acontecem.
O que nos diferencia de uma cortina para uma vida em constante movimento?
Um passo do pé.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Rosquinhas

Intoxiquei-me com uma dosagem grande dela.
Pesquisas, fotografias, textos e biografias me levaram a uma espécie de torpor.
Realmente.
Canso tão fácil de algumas pessoas e situações que tenho receio quando o encanto dura mais que um pôr do sol.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Preciso me Encontrar - Cartola - 1976


O fagote é definitivamente um elefante triste...



domingo, 3 de julho de 2011

Domingo

É um domingo maravilhoso.
Serei redundante, porém, ele ficará na história. Na minha história.
Hoje fiz minhas primeiras fotografias de gestante e com uma gestante que me é caríssima, é minha amiga, é minha querida!
Hoje foram geradas novas possibilidades.
A fotografia me causa comoção.
A gestação me causa comoção.
A vida me causa um deslumbramento sem fim.
Não sou sonhadora. Ou não é uma característica forte em mim.
A vida é que para mim nunca será vista como uma folha em branco...
Detalhes pelo caminho sempre estarão ali.
E nós nunca mais seremos os mesmos após contemplá-los.
Isso não é ser sonhador.
É exercitar um dos talentos da pura engenharia divina que temos: a visão.

sábado, 2 de julho de 2011

Gilberto

Fiquei a olhar meus olhos por um tempo
Longo tempo
Tempo...
Apeguei-me ao material para não perder o que em mim é etéreo
Segurei firme teu relógio e senti um tocar-te de leve a testa gélida
Segurei um pouco mais e ao meu redor tudo -
exceto aquela joaninha que apareceu delicada enquanto eu trabalhava brincando de encher o tempo e dar sentido à vida - estava calmo e vazio da tua presença.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Depois do Sim!

Existiam algumas desafinadas em mim, entendo, compreendo, e hoje me vejo de maneira mais nítida. Um instrumento que agrada mais o musicista. Livre do medo.
Vejo os mundos de dentro de nós uns assim como uma gaita, outros violinos, alguns piano e muitos baterias.
A orquestra dentro de mim anda a tocar umas melodias que desconheço e que me têm feito bem de maneira impecavelmente afinada. E cada dia mais essa orquestra tem se apresentado melhor com melodias que me transformam em mar calmo, voluptuoso, sim, e extremamente fiel a um marujo.
Fidelidade de corpo, alma e espírito. Fidelidade do sofá assistindo seriados, dos lanches e saladas, do abraço e do encontro, dos passeios do avesso, e das gotas de jazz por aí. Da delicadeza das conchas e das entrelinhas  do aconchego.
É o dia do namorado, do amigo, do marido, do amante...
Dos braços que se envolvem num emaranhado que não se explica.
Meu presente é meu zelo, meu cuidado, meu abraço, meus carinhos, meu batom vermelho, o meu amor.
Digo sim diariamente, constantemente para mim, num toque aveludado em ti. Num beijo sem legendas.
No jazz do nosso amor não há rock´n´roll que o desafine.
É amor, puro e simples. Do concavo ao convexo. Do sentimento mais claro ao mais honesto.
Amo você, Joel.
Obrigada, Pai!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Do veneno por trás do retrovisor.

Confesso.
Senti um prazer esquisitíssimo ao ver o carro do CET atrás de mim vivenciando um congestionamentozinho básico para chegar à Rebouças... Não sei que prazer maléfico dominou-me, mas confesso, a cada espiadela que eu dava e que presenciava o seu distanciamento - confesso novamente - mais me regozijava...
Queria dizer: Sinta um pouquinho desse tumulto, dessa loucura, insanidade total.
Só permitimos passagem às Ambulâncias, Viaturas Policiais. E ao carro do CET restou apenas sentir a vingança dos motoristas desorientados em plena sexta-feira. "Não, vocês não multarão por enquanto mais um dos nossos." Engraçadíssimo. Eu ria sozinha. 
Não, caríssimos, não posso ser multada pelo blog, afinal, quem sou, qual a placa da Jujulina? risos...
Espero absolvição sem pontos na carteira.

Estilo...

Tudo bem eu ser low profile em alguns sentidos, mas não dá para menosprezar um tênis assim. E como menosprezá-lo se torna impossível, posso uni-lo com um cadinho de natureza... Agora, tente me imaginar pedindo ao pobre autorização para fotografar seu par de tênis...
"Eu, hein??"
As pessoas me perguntam o tempo inteiro porque fiz faculdade de enfermagem, porque não escolhi fotografia ou algo relacionado à arte...
Eu respondo pacientemente: a vida é tão breve, que tal conhecermos um pouquinho de cada coisa? Sou uma exploradora nata! risos
Percebo que algumas pessoas vivem como se a vida fosse um quadrado. Para mim, e outro tanto de gente, ela é o símbolo do infinito!
E vamos viver, aprender, exercer a curiosidade, observar e tentar engolir um pouquinho desse universo para dentro de nós. Sem perder tempo. Fernandinho me diz baixinho (como que sentenciando): "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena".



Entregue às traças

Meu bloguinho está, literalmente, entregue às traças... um bichinho feio, esquisito e que causa um certo frisson só de permitir chegá-lo à mente.
Tenho tirado algumas fotinhos dos caminhos pelos quais passo. Engraçada a minha necessidade de escrever e fotografar. Às vezes, me permito mergulhar dentro do mar íntimo de meu ser e tentar entender a motivação dessas minhas necessidades. 
Recordações. Tentativa de prender e dominar os momentos (eternizá-los), como se eles fossem ser tomados de mim. De fato um dia serão. Mas, até lá, tem chão... risos...
Uma fotinho que me causou comoção e me fez adotá-la de imediato. Tenho um apego e paixão pelas coisas simples. Tenho algo de low profile para a vida, sim.
Pequena notável - encanto para os olhos atentos

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Há!

Eis que vejo-me pensativa. Coloco-me dessa maneira, quase propositalmente. Um arrepio ácido percorre minha coluna vertebral. Quase um susto é o sentimento que avizinha-se sobre mim.
O meu português teimoso. Essa língua louca. Os pensamentos que não refletem a realidade.
Marionetes.
Quem são as pessoas com as quais você conversa?
Quem são as pessoas que sentam-se ao seu lado no transporte público? A quem você buzinou pela última vez?
Um português louco, impiedoso, sarcástico e afoito me surge rua adentro, questionando barbaridade as vírgulas que estavam como lombadas, impedindo seu andar trôpego e covarde. Tudo, inclusive o vento, o deixava ainda mais inquieto e atrevidamente insatisfeito.
Irrita-me a iminência de um novo parágrafo, não entendo sua retórica. Sei que suas palavras são reais, mas não conheço-lhe a mente.


Enfado das palavras.
Enfado das intenções captadas, através de uma grande angular, nas reticências sequer proferidas...
Afugento o português de perto
Só há engôdo.
O amianto o consome.
A hipocrisia me causa náuseas.
Ela pede um recesso das palavras. 
Um minuto de silêncio.
Luto.

A loucura está sendo velada.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Sobre Keith Jarrett

A música ecoa ainda em minha alma e, lá no fundo, ainda sinto-o tocar o improviso da vida através da genialidade de seu ser. A Sala São Paulo sou eu.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Bromélias cor-de-rosa

É um silêncio obrigado, frio, incontestável que envolve-me a alma.
Sinto uma agonia que se apodera sem que consiga achar forças para desvencilhar-me. Debaixo do chuveiro a água quente, bem quente, aquece-me da febre que sinto privar-me a consciência.
Quero chorar, algo se aproxima, não distingo o que é a sombra, mas sinto que me entristece.
Encolho-me, abraço-me, e a água quente continua correndo misturando-se diagonalmente à chuva lá de fora...
Um choro angustiante do meu espírito comunica-me algo. Uma intolerância ao monopólio, a arrogância. Mas tu chegas, a escuridão se dissipa. Abraça-me um pouco mais e agora é alívio. Tudo se torna daninho, pequeno. 
Bromélias cor-de-rosa.
A minha fera se recupera e sua renovação se completa.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Do segundo!

Aquelas pessoas com as quais se identificava, e aquele espelho que via ao olhar-lhes nos olhos, hoje é pedra.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Yago

Chama-se Yago o menino que apareceu-me em pleno dia 26 de janeiro. Chamou-me pelo apelido que todos em casa me chamam. De maneira atrevida, sentou-se sobre a tela do computador, com ares de familiaridade como se eu lhe tivesse concedido intimidade. Pediu um certo espaço. Concedi com um cadinho de má vontade e retruquei que, como o tempo estava afoito para as atividades rotineiras, minha atenção, naquele momento, lhe seria pouca.

Passou um tempo. Ele me olhou novamente. Sorriu triste. Nunca alguém me olhou de maneira tão intensa e tão triste. Abriu a porta e saiu.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

De dentro das caixinhas!

E as surpresas acontecem dentro do inesperado, e este de dentro do incogitável se revela sem pudor...
Um brinde, então!

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Recepção da Chegada e do Adeus!

Um amigo me diz, devagar, sem pressa: Adeus!
Um outro, empolgadíssimo e arteiro me liga e diz: estou quase chegando! A bateria do meu celular está no fim, mas me espera, estão todos comigo!!

Na sequencia do adeus, ouço alguns mais empolgados, outros já nostálgicos me dizendo palavras de recomendação, alguns gratos, outros crendo que ficando um pouco mais e poderiam se despedir mais consolados! Como boa anfitriã que sou, os consolo, um a um e me despeço dizendo que adorei especialmente a visita de cada um, que eu mesma me enchi com todos eles, aprendi, sorri, cantei, toquei, chorei, gargalhei, enfim, fiquei melhor na presença diária de cada um, em seu próprio tempo!

Já são 17:21h e os meus amigos estão chegando felicíssimos. Eu sinto um leve arrepiar, sempre novidades, sempre ficamos horas e horas acordados confraternizando o novo.

Meus caros de 2010, continuarei a amá-los, embora, claro como um dia de sol de verão está, que nunca mais nos veremos...
Caros de 2011, sejam Bem-Vindos! Estamos esperando ansiosos a chegada de vocês, com o agradecimento que me é peculiar, a alegria me contagia por poder ampliar o meu círculo de amizade com todos os meus queridos amigos os quais têm me acompanhado fielmente!
Amo a todos os meus 28!
Obrigada e beijo grande!
Até mais!

“Tan tan tantantan tan tan tantantan tan taran taran” (Beethoven)

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A cura

Um pouco menos de dor.  

Só hoje um pouco menos de soro.

Um pouco menos de sonda.

Menos exames,

Nada de eletro.

Hoje,  e só hoje,

Um pouco mais de vida,

Um pouco menos da morte.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Dois títulos!

S OU S MATA ATLÂNTICA/
SOU SÓ MATA ATLÂNTICA

Alguns passos largos e indecisos me comunicaram muito. No entanto, era o SOS Mata Atlântica ali, estampado naquela sacola, que me causou delírios instantâneos em pleno tráfego. Em plena São Paulo. Saquei, como gatuna* que sou, minha maquininha e... flash! Fosse pela incoerência da situação eu realmente, com dificuldades, poderia dizer que tudo estava normal. O farol vermelho e, ali, com sua sacolinha, o brasileiro atravessou a rua.  Mergulhei no outro de maneira inexplicável; caí em uma areia movediça como aquela entre Rebecca e Tortugas  e meu navio, com todos os tripulantes, sucumbiu ante a hostilidade da geografia.


*gatuna dos momentos fortuitos, gratuitos e alheios, os quais não me diriam respeito, exceto se não fosse gatuna.

sábado, 27 de novembro de 2010

I´ll remember you

video



Acima, um vídeo do Elvis Presley, I´ll remember you, muito apropriado para minha narrativa. Se preferirem, ouçam-na  durante a leitura, a química parece encantadora. 

Narrativa para a nossaTabebuia pentaphylla -

Aquelas folhas pelo chão. 
Na primavera eram tantas flores, tantas flores que forravam a calçada. Um lindo e natural tapete rosa.
Era nossa.
A mais bonita da praça e para nós! Embora forte e bela não aceitaria dono.
Quem lhe escolhera o nascimento foram meus titios. E escolheram que nascesse perto de nós, à nossa vista e nos fizesse emocionar com a sua altura, seus braços e seus frutos.
Soube ontem pela titia que sua força, vista ali nos troncos, que abraçávamos para fazer fotos e, antes marcada com um coração, havia acabado. Num ímpeto emocionado cobri o rosto com uma almofadinha verde e, de repente, haviam desconstruído minhas esperanças. "Dani, eu ouvi falar, mas acho que não, Dandan". Como sempre o fizera, titia tentava me proteger, após tantos anos, da não aceitação da partida.  A praça não seria mais praça, seria uma clínica médica. E ele não poderia ficar ali. Espaço seu (e havia sido escolhido!).
As recordações ficaram em fila, enquanto eu cobria meu rosto, talvez, numa tentativa vã de proteger-me das ~; lembranças que viriam a seguir; lembranças de pessoas que se sentavam debaixo de sua sombra; tocavam suas raízes e organizavam a baguncinha das folhas. Vieram pessoas nessas imagens e, a força para sobreviver após isso, não sei de onde sairia.
O nosso Pé de Ipê, com carinho o chamo, mais uma vez, de nosso, se foi... Ele que havia até agora sobrevivido, o último de nós. Não quero lembrar do pé de limão também, carregadinho, e, de como, quando eu estava lá nas férias, participava do ritual de ajudá-la a colher os limões, varrer as folhas e organizar aquele espaço verde. Todos que estavam em casa, nesses momentos, estavam juntos, ali, diante do pé de Ipê.
Meu titio o pintou em tela. De alguma maneira, nessas cores, há mais vida do que alguém possa imaginar, a vida dele em meio às tintas, seus olhos contemplando e retratando o pé de Ipê, uma de suas últimas telas. E, agora, reina em minha casa, o pé de Ipê, meu, além de uma fotografia da realidade, é o retrato da realidade do meu tio defronte ao pé de Ipê; ambos vivem um pouco mais para mim.

*Quais são os frutos, os pés de ipê que você tem plantado? Quais são as telas em sua vida que tem criado? Quais serão as memórias que estarão na memória das pessoas com as quais você convive? Graças a Deus, pessoas muito amadas por mim, têm me deixado vários pés de Ipê e venho tentando engatinhar na continuação das memórias. Elas nunca vão embora. As deixamos mesmo depois de termos ido há pouco ou tanto tempo.

domingo, 21 de novembro de 2010

Conjecturas básicas - Desabafo do desapego

Não se decepcione. Não somos iguais. Posso ter gostos que não se assemelham com os teus; tenho, inclusive, esse direito. Tenha paciência. Podemos ter pontos de vista políticos diferentes. Ambos, porém, queremos o bem dos nossos irmãos. Não me critique. Somos diferentes e isso pode ser enriquecedor. Agora, se temos muito em comum, dê graças a Deus. Eu dou se formos parecidos. Teremos muito sobre o que conversar. E, se ainda assim, não puder conviver com nossas divergências, apesar dos pontos em comum, não sinto muito - minha sinceridade pode ferir. Não podemos ser iguais. É impossível. Se não aceitar isso, garanto, um entrave linguístico é totalmente inútil; melhor não o iniciarmos. Até breve, quem sabe, se aceitar que posso divergir dos seus pensamentos e, mesmo assim, ser sua amiga sempre. 

terça-feira, 16 de novembro de 2010

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Pequena janela encantada

Algo está misteriosamente interessante. O caminhar daquele rapaz parece transparecer todos os pensamentos titubeantes que estão por debaixo do seu chapéu coco. O tempo nublado cooperara para que sua existência, inclusive de seus passos e seu chapéu coco, ficassem abaladamente reflexivos. Vejo passos que, inseguros, desconhecem a direção certa para seguir. Outros, um tanto quanto rápidos, acelerados, passam cegos pela paisagem de prédios sombrios e encantadores do centro. Passos que simplesmente parecem pertencer a um fantasma que não escolheu o leste ou o oeste e, ao parar, sabe que ali também poderá ser o seu lugar. Somos mutantes ou ciganos. Há algumas raízes (milhares, quem sabe) dentro de seu coração. São essas raízes chamadas de recordação que lhe fazem pertencer ao lugar, que lhe dão posse, documentação completa daquela casa. Daqueles móveis. Roupas. Tapetes. Porta-retratos. Quadros. Souvenirs. Ainda entro em uma casa, casa de interior. Não há vi vazia. Não a quero ver vazia. A quero completa. Com móveis, com cheiro, com jardim, com quadros espalhados por toda a parte, com um cachorrinho sapeca que impede a aproximação de qualquer gatinho. Com os passos do meu tio. Com sua alegria ao me ver chegar de São Paulo: “Oi QUERIDA” (caixa alta porque sua voz é baixo - 'bem grave'). Quero minha tia me oferecendo o bolo que fez especialmente para mim.  Darei uma fiscalizadinha em meu cabelo e, através do espelho daquela casinha, observar que algo em mim mudou de novo; todo ano muda e só nesse espelho posso perceber tal fato. Quero o cheiro da pamonha quando, delicadamente, eu for até a calçada e ficar em frente ao pé de ipê. Sim. Quero sempre o pé de ipê nessa minha lembrança, com suas raízes densas se libertando da calçada. Quero guardar o portão também. A cadeira de descanso. Guardar os vizinhos. Guardar o meu tio cuidando do seu carro vermelho e assobiando alguma música enquanto pensa, pensa mas não sei em quê, embora minha curiosidade por pouco não me faça perguntar. Quero estar na rodoviária e, pela janela do ônibus, vê-los me esperar ansiosos lá fora. Quero guardar a disposição dele carregando minha bagagem e rindo de mim porque, afinal, eu levo sempre uma mala só para sapatos, outra só para roupas e outra para coisinhas-inúteis-que-não-vivo-sem. Quero vê-lo colocar tudo no porta-malas enquanto minha tia fala: “Como foi a viagem, neguinha?”. Quero uma pamonha doce guardada para mim. Quero contemplá-los e, sentada bem no meio do banco detrás, contar as novidades e inspirar profundamente o vento fresco que vai carro adentro.
Quero estar feliz por ficar de férias na casa deles. Saber que vou respirar ar puro, escrever muito, tomar o café da tarde com a minha tia e saber que poderei acordar às 11 horas, já que, como ela mesma diz, eu preciso descansar muito: “Você estuda demais, Dandan”. Vou conversar com o meu tio na calçada e contemplar o pôr-do-sol. Aproveito para ficar à vontade, uso tranquilamente chinelos e shorts no portão; estou no interior e aqueles sapatos todos, os trago porque, enfim, tenho apego, mas sei que eles serão inúteis até mesmo na alta roda da cidade.
Quero ler Clarice, sabendo que ele está ali sentado ao meu lado, pensando enquanto eu leio.
Quero passar as tardes numa ociosidade tão deliciosa que meu desejo era tê-las infinitamente em minha vida, sem que nenhuma parte do cenário se modificasse. Eu ainda não tenho consciência de que esse cenário não é eterno. Vou aproveitar e fotografar tudo que vir pela frente. Ele me diz: “Você só falta fotografar mosquito... Impressionante”. Chega a noite, não importa a idade, deito na cama com minha titia e ela me conta histórias para dormir, um ritual de anos e anos; ela ainda ri por ter de me contar, às vezes, pede que eu conte. Mas gosto da sua voz, da sua entonação, da sua maneira tão perfeita de contar. Titio já sabe que o lugar dele é ocupado e vai dormir só tarde da noite quando eu me mudar, forçosamente, de quarto. Quando minha priminha estava presente, logo na primeira noite, conversávamos até altas horas. No dia seguinte, ele ria e dizia: “Nossa, como vocês falam (fingindo-se surpreso, como se não soubesse que falamos mais que o homem da cobra)!”; e nós retrucávamos: “Imagina, fomos dormir cedo!”; “Ah, sei...”; e ri com aquele ar cúmplice e satisfeito.
E eu sigo assim... Passei férias quando a época não era e era do walkman, depois diskman e depois mp4... São tantas coisas boas que passos incertos de um desconhecido me puseram a compartilhar nesta folha. Ouve só! Ele está tocando a guitarra havaiana. Como eu gosto desse som. Eu o elogio (responde que não toca nada). Modesto. Ele canta, digo que é a melhor voz, que enriquece o coral com o seu baixo, e ele, modesto mais uma vez, ou nem tanto, solta um sorriso maroto. Ei! Já são 18h09, preciso colocar meu mizuno porque titio quer caminhar e, mesmo quando faço muxoxo, insiste e é impossível dizer não - ele é teimoso, vocês não o conhecem! “Vamos caminhar, Daaani”; “Vamos lá, titio”. São 13 voltas na praça, voltinhas que, entre cumprimentar os conhecidos e sentir o finzinho do pôr do sol, me fazem sentir a sobrinha mais feliz do mundo! Daqui a pouco volto. Vou seguir meus passos agora. Um dia eles se reencontrarão, titio.

 Dani Vipo® 11/11/2010.


domingo, 7 de novembro de 2010

"Será que é pintura o rosto da atriz?"